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Silvana Baccin emociona a AEA/DF ao mostrar como transformou cicatrizes em medalha e esperança

Silvana Baccin emociona a AEA/DF ao mostrar como transformou cicatrizes em medalha e esperança

Na tarde de 2 de setembro, a sede da AEA/DF se tornou espaço de escuta e inspiração. A associada Silvana Baccin, aposentada da Caixa, compartilhou sua trajetória em uma palestra que abriu a série Pessoas Inspiradoras. Mais do que uma história de conquistas esportivas, foi um relato de humanidade.

Silvana falou da armadura que, em vez de proteger, aprisiona. Lembrou do cavaleiro que só conseguiu se libertar quando chorou. “Eu também precisei chorar para quebrar a minha”, disse. Durante anos acreditou ser pedra: a atleta do vôlei, a gerente exigente, a mulher incansável. Até que os rins falharam e ela entendeu que até a rocha pode se partir.

O presidente da AEA/DF, Chico Julho, resumiu o espírito daquele encontro: “A Silvana mostrou que a vida não para na aposentadoria. Esse é o tempo de abrir novos caminhos e criar novas histórias. A AEA é a nossa casa para isso.”

Já o diretor de esportes, Renato Mamede, que organiza a série, destacou: “Queremos que cada associado se veja nessas trajetórias. Pessoas reais, com quedas e recomeços. A Silvana abriu esse ciclo porque sua vida é prova viva de reinvenção.”

A ilusão da rocha

Durante muitos anos, Silvana acreditou ser inquebrável. Trabalhava longas jornadas, treinava, competia, sem admitir falhas. Era atleta disciplinada, gerente exigente, mulher de ferro. Até que a doença renal hereditária a obrigou a parar. Aos 48 anos, os rins falharam e ela descobriu que ninguém é feito apenas de força. A pedra, que parecia eterna, mostrou rachaduras.

O corte que revela o essencial

A doença trouxe perdas, mas também cortes necessários. Foi a fase da tesoura: o tempo de aparar arrogâncias, abandonar certezas e aprender a se ver humana. Nessa etapa, recebeu o gesto que mudou seu destino — o rim doado por Edu, seu ex-marido. “Esse rim me devolveu a vida. E me ensinou que vulnerabilidade não é derrota, é ligação com o outro.” A tesoura, que parecia destruição, revelou gratidão e abertura para um novo começo.

O papel que guarda cicatrizes

Hoje, Silvana se reconhece como papel. Não o papel novo e liso, mas o papel amassado, cheio de cicatrizes, que ainda pode ser aberto e escrito de novo. Foi assim que, em 2014, apenas três meses depois do transplante, pegou uma raquete de tênis pela primeira vez, junto da filha. Duas iniciantes, lado a lado, rindo dos erros e celebrando os acertos. Esse reencontro foi tão valioso quanto qualquer vitória.

Vieram novas quedas: o tornozelo quebrado no vôlei, o punho fraturado em casa. “Chorei dois segundos, depois agradeci. Era a mão esquerda, e eu jogo com a direita.” Simples, mas revelador. Dois anos depois, em 2025, na Alemanha, a persistência se transformou em conquista: bronze no tênis simples feminino dos Jogos Mundiais de Transplantados. A primeira medalha brasileira da história. “Cada ponto, cada treino, cada rifa que fiz estava naquela medalha. Ela representava escolhas diárias de continuar.”

A lição que fica

Silvana não quis dar receitas prontas. Abriu sua vida, mostrou as fases de pedra, tesoura e papel, cada uma com suas dores e aprendizados. E deixou claro que as cicatrizes não são fim de caminho, mas parte daquilo que nos faz continuar.

Quem esteve na AEA/DF saiu com a certeza de que a aposentadoria não é ponto final. É convite. É a chance de se reinventar e escrever uma nova versão de si mesmo.

👉 suanovaversao.org.br

 

 

 

 

 

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